sexta-feira, 28 de abril de 2017

Como manter a casa limpa e arrumada diariamente #1


O ambiente onde vivemos influencia o nosso estado de espírito. Tanto nos pode trazer boas energias e convidar ao relaxamento, como pode ser pesado, deixando-nos ainda mais tensos e nervosos. Por vezes reflecte algo maior, como o estado geral da nossa vida: calma e feliz ou stressada e sufocante.

Por isso é tão importante que a nossa casa esteja limpa e organizada. Quem não gosta de chegar a casa, após um dia cansativo e vê-la limpinha e perfumada, sem tralha espalhada por todo o lado? Quem não gosta de sentir que ali pode relaxar, ao invés de pensar que a casa representa unicamente mais uma jornada de trabalho?

Claro que nos dias de hoje não é fácil. Temos vidas muito agitadas, e é difícil encontrar tempo e energia para manter tudo em ordem. Contudo, se deixarmos a casa de lado, ela vai-se tornando num lugar muito triste - oposto ao refúgio relaxante, onde desejamos chegar ao fim do dia.

Pessoalmente, acho que não devemos tornar-nos escravos da casa. Devemos sim adquirir alguns hábitos que nos facilitem a vida. Que nos permitam viver num lugar acolhedor, e, simultaneamente, ter um espaço na agenda para nós e para a nossa família.

Na verdade, tento ver o cuidar da casa não como uma obrigação, mas antes como uma forma de criar energia positiva, de transformá-la num lugar agradável e acolhedor. Isto sem stresses, sem ambicionar a perfeição - pois a prioridade é mesmo o bem-estar da família (e isso implica ter tempo para eles).

Resolvi por isso fazer uma série de posts, com sugestões para manter a casa limpa e arrumada todos os dias. Partilharei dicas que experimentei e que melhoraram a minha vida. Algumas já estão de tal forma entranhadas, que se transformaram em verdadeiros hábitos. Outras, ainda estão em fase de implementação. Em suma, são muitos truques. Mas tudo somado, permite-nos alcançar o tal objectivo de organização e limpeza, poupando o máximo de tempo possível.

Para facilitar, organizei as diversas sugestões em 10 partes principais (cada uma delas corresponderá a um post):
4.ª Parte – A rotina diária;
5.ª Parte – As compras semanais;
6.ª Parte – O tratamento de roupas;
7.ª Parte – Prevenir a sujidade;
8.ª Parte – A faxina/limpeza da casa;
9.ª Parte – Ter ajuda dos electrodomésticos;
10.ª Parte – Envolver a família.

Aguarda assim pelos próximos posts. Espero sinceramente, que facilitem a tua vida, como têm facilitado a minha. Ah! Se tiveres sugestões adicionais não hesites e partilhar.

Um abraço e até para a semana!

Foto: Alvhem.
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quarta-feira, 26 de abril de 2017

Férias em modo slow

As férias da Páscoa chegaram. Aproveitámos mais a nossa cidade e estivemos uns dias (poucos) no Algarve. 

Na imagem, a praia de Santa Eulália em Albufeira. Jantávamos mais cedo e íamos lá antes do anoitecer. Só para olhar o mar, sentir aquele cheiro, aquela brisa... enquanto os miúdos brincavam na areia. Há coisa mais relaxante que ouvir o som das ondas? Maravilhoso!


Na nossa cidade olhámos a beleza das pequenas coisas. É uma cidade do centro do país, onde os ritmos são mais lentos. Ainda assim, está repleta de história e de lugares bonitos. Chama-se Abrantes. Já ouviste falar?

À direita, uma das vistas da cidade. No aglomerado de casas, avista-se a igreja de São Vicente, mandada construir aquando da conquista de Abrantes por D. Afonso Henriques. Foi entretanto destruída pelos mouros e novamente reconstruída por empregados do Convento de Cristo de Tomar.

Não, não te vou falar de história. Só estou a mostrar-te o quanto de histórias interessantes podemos descobrir nos lugares onde moramos.



A minha cidade é também chamada de «cidade florida», dada a quantidade de flores um pouco por todo o lado. Hoje em dia, com pena minha, as pessoas não têm flores nas varandas como antigamente. Ainda assim, os espaços públicos continuam encantadores.
E agora, novamente o mar, desta vez pela manhã, quando a praia ainda se encontrava deserta. Haverá melhor hora para sentir paz interior, o tão falado hygge (ou felicidade pura), do que ao nascer e pôr-do-sol?



Ainda em casa, testei novos sabores. Aqui as papas de aveia proteicas do Jamie Oliver. A acompanhar, um chá de frutos silvestres.

Andava a ler vários livros em simultâneo. Conclui alguns e concentrei-me neste: o "Menos é Mais" da Francine Jay. Um livro sobre minimalismo, sem radicalismos, apenas focado na melhoria de qualidade de vida. Uma leitura agradável!










Pela cidade, mais um recanto a fazer juz à Primavera. E isto junto a umas casas-de-banho públicas...


Uma janela rústica e um emaranhado de plantas.



Mais uma receita, deliciosa por sinal, baseada na dieta paleo. É uma salada de frango crocante com amêndoa, receita do livro "Chegar Novo a Velho - Receitas".












E agora uma vista do Algarve. Outra vez o mar.



Nessas paragens, experimentámos sabores mais tradicionais. Aqui um arroz de marisco. Um pouco de mar à mesa.














A hora mágica do entardecer, na minha cidade. Em pano de fundo a Igreja de São João Baptista, fundada pela rainha Santa Isabel para celebrar a paz entre o marido, o rei D. Dinis e o filho D. Afonso.


Na verdade não saímos muito. Queríamos ir a uma série de locais e desistimos de quase todos. A ideia era relaxar, não andar a correr de um lado para o outro. 

As férias envolveram prazeres simples como a leitura, escrita e caminhadas por lugares bonitos. Somente isso.

A princesa andou de patins, neste lugar encantador de Abrantes. O castelo ao fundo, o parque radical mesmo ali. História e desporto, num só lugar. Nós apreciávamos simplesmente a vista.



No Algarve, optámos por fazer umas partidas de ténis. Foi super-divertido! Mas também tive consciência de que não consigo correr como dantes. Queria tanto, mas tanto, ter tempo para praticar desporto...

Também relaxámos na piscina aquecida e, à noite, depois de deitar o Luquinhas, assistíamos a um filme (há que tempos não me sentava, para ver algo na TV - a sério, soube-me mesmo bem).
Não resisti e comprei este livro do pediatra Mário Cordeiro, o "Educar com Amor". Aborda temas tão interessantes, como um capítulo inteirinho a explicar «como ensinar uma criança a ser alegre». Maravilhoso! Quando terminar de ler, certamente falarei dele no blog. A verdade é que estou a ficar absolutamente fã deste autor!

Pena que no Algarve foram, na prática, só 3 dias. Os outros 2 foram passados a viajar. Para descansar verdadeiramente, precisávamos de mais um tempo longe da correria diária. Ainda assim, o facto de não termos andado de um lado para o outro, ajudou bastante. O mar, um bom livro e tempo em família, são o melhor das férias. Fazer tudo em modo mais brando, dedicar tempo unicamente a ser feliz.

A última foto é novamente do mar. Lindo como só ele. Ali, um pouco antes do anoitecer.


Fotos: Mafalda S.
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segunda-feira, 24 de abril de 2017

Pensamento/Lema da semana #342


"(…) a maneira de estar na vida de cada um
 tem consequências
e, para lá das que recaem sobre si mesmo, 
tê-las-á sobre aqueles de quem depende a educação, o ensino e a aprendizagem, 
não apenas o do português, da matemática ou do estudo do meio, 
mas, principalmente, o da vida (...)." 
Mário Cordeiro

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segunda-feira, 17 de abril de 2017

Pensamento/Lema da semana #341

"Para mim, ler é hygge (…)." 
Anna Skyggebjerg

Foto: Unsplash
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domingo, 16 de abril de 2017

Uma Páscoa Feliz!


Aproveita cada minutinho desta Páscoa
para criares memórias felizes!
Desejo-te tudo de bom!

Imagem: fabQuote
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quinta-feira, 13 de abril de 2017

Brinquedos realmente educativos ou como somos fãs da Science4you

A minha filha tem um cantinho no quarto, dedicado à «colecção» de brinquedos da Science4you. A verdade é que ela é uma verdadeira fã (vá, confesso, eu também sou... 😂). Por um lado porque são brinquedos educativos - a criança aprende sempre algo de útil, por outro porque proporciona momentos de puro divertimento e por último, porque aumenta a cumplicidade entre mãe e filha - pois normalmente realizamos estas actividades em conjunto.

Estas férias resolvemos testar A Ciência das Velas. Vestimos a pele de cientistas e lá fomos nós fazer umas experiências...



Os brinquedos trazem normalmente o material para fazer as experiências, um livro educativo (este tinha 32 páginas) e ainda... o Passaporte de Ciência (na prática, são mais de 100€ em bilhetes para vários Museus!!!).

Os livros vêm recheados de imagens coloridas, o que os torna atractivos para crianças. Este fala de um pouco de história, da ciência por detrás das velas e obviamente das experiências. 
São várias as experiências previstas. Nós resolvemos experimentar, para já, a das «velas estrela e rosa».  Não ficaram lindas? 

Mas queremos fazer outras. Estamos particularmente curiosas com a de reciclar lápis de cera e transformá-los em velas...

Há ainda mais opções, como: fazer uma vela mosaico; criar velas a partir de cubos de gelo, balões de água ou com areia; e como fazer velas em situações de emergência.



Bom, mas vou mostrar-te os restantes brinquedos da «colecção»...

A princesa também tem a Fábrica de Cupcakes, que permite tanto fazer experiências - por exemplo para descobrir «para que serve o fermento», como para fazer os cupcakes propriamente ditos. 


Em baixo, à esquerda, uma das fotos do livro educativo, onde é explicada uma experiência com a seringa de pastelaria. À direita, duas receitas que experimentámos: o «cupcake bombom de morango» e o «cupcake de iogurte com cobertura de chocolate». Para experimentar e ainda por cima para provar 😉😋!


A Fábrica de Batons também faz parte da «colecção» (se seguires o  link no nome dos brinquedos, podes espreitar um vídeo demonstrativo, com as experiências que se podem fazer com cada um deles). Na foto, está um batom perfumado feito pela princesa. Cheira tão bem... 


Também se pode fazer gloss, batom a partir de lápis de cera, reciclar batons, resolver mistérios como um cientista forense... muito giro!



A Ciência dos Sabonetes foi oferecida à Letícia pelo Natal. Claro que passámos o resto das férias a fabricar sabonetes. Na imagem está um dos nossos exemplares.











O Meu Primeiro Spa é um dos favoritos da minha filha. Tem 21 experiências que podem transformar a nossa casa num verdadeiro Spa. Entre outras coisas, permite fazer: sais de banho, óleos essenciais, sabonete de flores secas, esfoliantes, máscaras faciais e para o cabelo, branqueamento dos dentes (nós experimentámos e resulta!), massagens com pedras quentes, escalda-pés relaxante...


Acho interessante, que na Science4you até uns simples headphones permitem estimular a criatividade. Estes chegam como uma tela em branco, para que a criança possa decorá-la à sua vontade. Muito giro!

Entretanto a princesa diz-me que anda a sonhar com dois outros brinquedos: o Globo de Plasma e a Fábrica de Cristais...

Deu para perceber que somos fãs?...

Fotos: Mafalda S.
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segunda-feira, 10 de abril de 2017

Pensamento/Lema da semana #340


"Muitas vezes atribuímos o bem-estar emocional 
aos nossos genes ou à nossa personalidade,
pelo que é tentador concluir
que não há nada a fazer.
O problema, nesse caso,
está em pensar que não o podemos influenciar de forma alguma,
quando, na verdade, se nos for dado TEMPO, CONHECIMENTO e MOTIVAÇÃO,
é perfeitamente possível melhorar o bem-estar de cada um."
Bridget Grenville-Cleave e Ilona Boniwell

Foto: Unsplash
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quarta-feira, 5 de abril de 2017

Como estamos de felicidade pelo mundo

A Noruega foi este ano considerado o país mais feliz do mundo,
ultrapassando pela primeira vez a Dinamarca.

Quando comecei a escrever este post, a ideia era dividi-lo em vários - dada a sua extensão. Mas decidi publicá-lo num só, para que em pesquisas futuras toda a informação esta reunida num único lugar. Se preferires, tens a opção de o ir lendo ao longo da semana.

««»»

Há poucos dias foi publicado o Relatório Mundial sobre a Felicidade. Como não podia deixar de ser, é um tema do qual tinha de falar.

O estudo abrangeu 155 países, e a verdade é que há uns bem mais felizes que outros. O nosso particularmente, não ficou bem classificado...

Segundo os autores, três quartos da variação destes resultados entre países, podem ser explicados por 6 factores económicos e sociais:

- o Produto Interno Bruto per capita;
- a esperança de anos de vida saudável;
- a liberdade para tomar decisões na vida;
- o apoio social (ter com quem contar nos momentos difíceis);
- a generosidade (medida por doações);
- a confiança (a percepção de ausência de corrupção no governo e nos negócios).

Foram ainda incluídos os resultados de um questionário em que as próprias pessoas classificavam, numa escala de 0 a 10, a sua qualidade de vida.

Com base neste resultados, foi elaborado um ranking da felicidade mundial.

O ranking da felicidade
Na prática, desde que este estudo é realizado, que os 10 países mais felizes do mundo se têm mantido nos lugares cimeiros, trocando apenas de posição entre eles.

Portugal encontra-se na 89.º posição, sinal de que algo não vai bem connosco.

A felicidade portuguesa tem diminuído nos últimos anos.

No primeiro ano em que o estudo se realizou, em 2012, Portugal estava na 73.ª posição. Desde então, tem vindo a descer. Neste momento, no contexto europeu, só são mais infelizes a Macedónia, a Bósnia-Herzegovina e a Bulgária.

Mas para teres uma ideia, eis a lista de países mais felizes e mais infelizes do mundo:


Coloquei ainda a posição portuguesa, a de alguns países de origem das comunidades de imigrantes em Portugal e a de alguns destinos da emigração portuguesa. Lamento faltarem alguns países, mas o estudo não abrangeu todos. 

Porque alguns países são mais felizes que outros
Os autores do relatório descobriram que grande parte da diferença na felicidade, entre os habitantes dos vários países, são explicadas por factores económicos e sociais (os 6 factores que referi no início do post).

Existem países como os EUA, em que apesar de terem um desenvolvimento económico elevado, as pessoas não são das mais felizes. Isto porque sempre se valorizou o crescimento económico, enquanto que os factores sociais têm sido subestimados. Dando só um exemplo, mesmo que se viva num país rico, se existirem muitas desigualdades na distribuição dessa riqueza, as pessoas tendem a ser menos felizes. O segredo reside algures no equilíbrio entre o social e o económico.

Os países mais felizes do mundo são efectivamente países ricos, mas têm muito apoio social, bons sistemas educativos, os habitantes são generosos, têm altos níveis de confiança (porque na generalidade todos são confiáveis - inclusive o sistema político - e as taxas de criminalidade são baixas). São dos países com mais igualdade social no mundo e a corrupção é mínima.

Já aos países mais infelizes, parece faltar tudo. São países marcados pela guerra, corrupção e por uma enorme desconfiança face às autoridades. A pobreza é elevada e há uma enorme disparidade na distribuição da riqueza. Mesmo em países onde não há guerra, a criminalidade é geralmente elevada e /ou existem bastante discriminações (de género, face a minorias étnicas ou a diferentes classes sociais).

Depois há aquele países que supostamente deveriam ser mais infelizes ou mais felizes, mas não são. Isto tem que ver com a cultura própria dos povos. Essa cultura faz com que desde cedo sejam transmitidos determinados valores, que para o bem ou para o mal, irão influenciar a forma de estar na vida dos seus habitantes. O Brasil é um desses casos. Apesar de tanta desigualdade, corrupção e altas taxas de criminalidade... as pessoas são mais felizes do que o esperado. A sua forma de estar na vida, é a chave da sua felicidade. Já a Dinamarca, tem tudo para ser feliz. Mas os valores que são transmitidos desde a infância acentuam ainda mais essa felicidade. Os dinamarqueses fazem do hygge (de que falei neste post) uma filosofia de vida, ou seja, realizam actividades que aumentam a felicidade, quase que numa base diária.

Outras ilações sobre o que nos faz felizes

A depressão e os transtornos de ansiedade têm mais impacto na felicidade
do que os rendimentos, o trabalho ou as doenças físicas.

Eis 9 descobertas sobre o que inspira a felicidade um pouco por todo o mundo:

1) As pessoas que trabalham por conta própria têm uma avaliação global da vida mais positiva. Apesar de tudo, há os prós e contras, pois este tipo de trabalhadores são mais propensos a experimentar sentimentos negativos como o stress e as preocupações.

2) As pessoas são mais felizes quando mantêm uma vida social activa durante a semana, ao invés de somente ao fim-de-semana.  Há povos que reportam mais felicidade ao fim-de-semana, quando não estão a trabalhar. Isto tem tudo a ver com o ambiente do local de trabalho! Contudo, esse efeito desaparece quando o ambiente é de «alta confiança», o chefe é visto como parceiro e não como um superior, o clima é de colaboração e não de competição, os colegas de trabalho são verdadeiros companheiros e não pessoas traiçoeiras. Neste caso, o próprio trabalho é um lugar de convivência positiva.

Participar noutro género de actividades sociais durante a semana (mas para isso é necessário ter horários que o permitam, de modo a não prejudicar a família), também pode ajudar, tais como: pertencer a um clube, praticar voluntariado, etc.

3) O desemprego afecta bastante a felicidade. Chega a deixar cicatrizes, pois mesmo que a pessoa encontre um emprego, os sentimentos de infelicidade que experimentou, tendem a permanecer. Em tempos li um estudo que referia, que pior que estar desempregado, só mesmo estar num emprego realmente mau.

4) A felicidade depende do tipo de trabalho. Por exemplo, os trabalhos executivos, de administração ou associados ao clero tendem a proporcionar mais felicidade do que trabalhos braçais como: a construção, o trabalho em minas, nas fábricas, nos transportes, na agricultura, na pesca ou na silvicultura.

5) Os rendimentos são mais importantes do que a educação. Algumas das pessoas mais ricas do mundo desistiram da faculdade, como Bill Gates ou Mark Zucherberg. É importante ter uma base monetária, que nos permita fazer actividades que nos façam felizes (viajar, por ex.). No entanto, independentemente do grau académico, estudar ao longo da vida, investir no desenvolvimento pessoal, tende a tornar as pessoas mais felizes.

6) O dinheiro não é tudo. Para sermos felizes no trabalho há outros aspectos a ter em conta: o estatuto social no trabalho, a qualidade das relações entre colegas, a estrutura de trabalho diário e a definição de metas.

7) É importante ter apoio social. Para cada 10% da população de um país que proporciona apoio social, os níveis de felicidade aumentam mais de 20%. Para além disso, pessoas que têm companheiros, relacionamentos sólidos com a família, ou amigos com quem possam contar, são mais felizes.

8) É prioritário cuidar da saúde mental. Segundo pesquisas para descobrir as principais causas da infelicidade e da miséria, receber um diagnóstico de uma doença mental, tem mais influência do que os rendimentos, o emprego ou uma doença física. De acordo com o relatório, a forma mais poderosa de as combater é eliminando a depressão e os transtornos de ansiedade (as formas mais comuns de doença mental).

9) A família, a infância e a escolaridade influenciam a felicidade na vida adulta. Se por um lado, os níveis de felicidade de um adulto são influenciados pela sua situação económica, social e de saúde actual, a verdade é que a bagagem que trouxe da sua infância, influencia fortemente a sua satisfação com a vida.
Entender o caso português: porque não somos tão felizes

Factores socioeconómicos, associados a alguns traços mais pessimistas da nossa cultura,
fazem com que não sejamos tão felizes.
A crise económica teve um efeito directo na felicidade dos portugueses, reduzindo-a. Mas só isso não explica o porquê de mesmo em alturas mais desafogadas, continuemos pouco felizes. Nos estudos do World Database of Happiness (realizados desde 1985), o ano em que fomos mais felizes foi em 1987. Ainda assim, só tivemos uma pontuação de 5,9 numa escala de 0 a 10 pontos (ver post). Vejamos assim, possíveis causas da nossa infelicidade (com links para notícias relacionadas com cada ponto):

- Prevalência de grandes desigualdades sociais. Quando nos comparamos com os outros e percebemos que há uma grande desigualdade salarial, isso deixa-nos mais infelizes. Estudos demonstram que as pessoas chegam a preferir ganhar um pouco menos, se todas as outras (classe política incluída) auferirem valores semelhantes ou inferiores ao seu. Nos países mais felizes este tipo de desigualdade é mínimo.

- Falta de confiança na justiça. Os portugueses sentem que a justiça nem sempre é eficaz e, novamente, percepcionam desigualdades no tratamento judicial.

- Prevalência de corrupção. Portugal encontra-se em 29.º lugar, numa lista de 176 países, o que até pode não parecer tão mau. Mas se repararmos nos países menos corruptos do mundo, por exemplo a Dinamarca está em 1.º, em 2.º a Nova Zelândia, em 3.º a Finlândia, a Noruega está em 6.º... Todos estes países fazem igualmente parte da lista dos 10 mais felizes. A corrupção não anda de mãos dadas com a felicidade. 

- Elevada incidência de problemas de saúde mental (depressão, transtornos de ansiedade...). Os portugueses apresentam uma das maiores taxas de consumos de ansíoliticos da União Europeia e são um dos maiores consumidores de álcool a nível mundial, o que também não ajuda. Há algo na própria cultura, associada aos factores socioeconómicos, que nos torna menos resilientes face aos problemas.

- Poucos anos de vida saudável na velhice. Por norma, com a idade as pessoas tendem a sentir-se mais felizes, mas isso não acontece em Portugal, onde os idosos reportam menos felicidade do que em qualquer outra fase da vida. Uma possível causa tem a ver novamente com a desigual repartição de recursos, que penaliza os mais pobres (afectando a alimentação, os cuidados de saúde, etc.).

- A organização do trabalho em Portugal, prejudica a saúde e a vida familiar. Os portugueses são dos que trabalham mais horas. Enquanto nos países nórdicos, os horários são mais reduzidos e as pessoas saem a horas, por cá sair a horas é frequentemente mal visto. O tempo para o lazer escasseia. As pessoas têm menos tempo para praticar desporto, estar em família, participar em associações... actividades que tendem a fazer-nos mais felizes.


Por outro lado, nem sempre as pessoas mais competentes, são as mais valorizadas. Também não é tão fácil demitir funcionários incompetentes ou que complicam mais do que ajudam (mesmo após lhes terem sido dadas ferramentas necessárias à sua evolução, como formação, por ex.). Apesar de algumas pessoas coleccionarem horas extra, não significa que são horas totalmente produtivas... Todas estas situações minam o ambiente do trabalho, desmotivam e influem negativamente na felicidade dos trabalhadores. Felizmente que há excepções!

- Para lá dos factores socioeconómicos, a educação que recebemos e a cultura portuguesa, não são das mais optimistas. Somos mais infelizes do que povos que vivem em piores condições de vida! Costumamos dizer que andamos "mais ou menos" e temos frequentemente uma visão de desesperança face ao futuro. E com isto, influenciamos desde cedo crianças e jovens, que não são também dos mais felizes. Com este pessimismo acabamos por não investir devidamente em actividades que nos poderiam fazer felizes - sendo que 40% da nossa felicidade, depende unicamente de nós!!!

A importância destes estudos
Estes estudos demonstram que se começa a dar importância à felicidade. Começa-se a perceber que esta é um dos caminhos para o progresso de um país. Chama-se por isso a atenção de legisladores, políticos e população em geral.

Na realidade, desde que estes relatórios existem, a felicidade é mais considerada nas políticas públicas. É um avanço! Apesar de haver um longo caminho a percorrer...

(Se quiseres consultar todo o relatório, clica aqui.)

E nós portugueses? O que podemos fazer para sermos mais felizes?

Uma das formas de transformar o país num lugar mais feliz
é investirmos na nossa própria felicidade.

Da minha perspectiva, podemos fazer o seguinte:

1) fazer valer o nosso ponto de vista e lutar por um país mais justo, que invista mais no bem-estar da população. Cumprindo os nossos deveres, associando-nos a movimentos que promovam este tipo de bem-estar (acções de voluntariado, assinatura de petições, associativismo, etc.).

2) investir na nossa própria felicidade, pois 40% depende unicamente de nós. Isto é possível através da prática diária de actividades que a ciência comprovou que aumentam a felicidade (sabe como dar o primeiro passo, aqui.) Ah! Isto é tão importante para nós, como para quem nos rodeia, pois a felicidade é contagiosa.

3) educando as nossas crianças para serem mais felizes e ter em mente que somos um modelo para elas (então que lhes demos um bom exemplo!). Sugiro que leias o post sobre como educar para a felicidade e ainda, os livros descritos nestes posts: como educar para o optimismo e sobre a educação dinamarquesa.

4) valorizando aquilo que temos de bom. Não falo só a nível pessoal, mas também do nosso país, ao qual por vezes damos mais valor quando estamos fora. Porque... é um facto, temos muita coisa boa!

««»»

Após escrever este texto, recordo o livro Thrive de Dan Buettner. Ele fala-nos de uma cidade, algures nos EUA, que nos anos 50 era como outra qualquer. O bem-estar da população era semelhante ao do resto do país. Entretanto, muitas políticas locais foram tomadas e as próprias pessoas foram mudando aos poucos. E hoje, chega a ser considerada a mais feliz das cidades, num país medianamente feliz. 

Isto faz-me acreditar, que melhorar é possível! (Ah! A cidade é San Luis Obispo.)

Fotos: 1.ª Moyan Brenn; 2.ª Rui Bittencourt; 3.ª Jill111; 4.ªJoão Campos e 5.ª Pexels .
Quadros: Mafalda S.
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segunda-feira, 3 de abril de 2017

Pensamento/Lema da semana #339


"(...) o que investir num pouco de hygge
decuplicará em felicidade."
Anna Skyggebjerg

Foto: 3025332
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