quinta-feira, 26 de julho de 2012

O meu horário de trabalho nórdico

Uma das mudanças que fiz após o nascimento da Letícia, foi no meu horário de trabalho. 

Impressionava-me a filosofia dos países nórdicos, em que as pessoas habitualmente saíam cedo do trabalho, dentro da hora prevista, e tinham tempo para dedicar à família e a actividades que lhes traziam felicidade. A ideia é que se trabalharmos bem, mas sem excessos, somos mais produtivos e temos tempo para outras áreas da nossa vida. Esta ideia agradava-me, porque era uma verdadeira workaholic, o que estava a afectar significativamente a minha qualidade de vida.

Tenho de trabalhar 7h por dia, pelo que fazia um horário das 9h às 17h. A este tempo teríamos de adicionar os 35 a 40 min de viagem até ao trabalho e, outro tanto, no regresso. Para além disso, sair às 17h era quase uma miragem, havia sempre algo importante para terminar e raramente o fazia. Conclusão: isto estava a afectar a minha saúde, a minha família e o trabalho parecia não render tanto.

Actualmente, levanto-me às 6h e pouco da manhã para estar no trabalho por volta das 8h. Passei a ter só 30min de almoço (ou menos) e saio às 15h30. Com isto chego a casa às 16h e pouco. (Outras colegas fazem um horário em que saem mais tarde, outras mais cedo, de modo a dar resposta às necessidades pessoais e, simultaneamente, às do local de trabalho).

Quanto às horas extra, faço-as quando sinto que são necessárias. Deixei foi de as fazer por rotina. E sabem que mais, a minha produtividade aumentou e sinto-me menos stressada. Ganhei eu e o local de trabalho.

No entanto, quando estou no trabalho não estou a brincar. Faço o trabalho render. Não me perco em grandes conversas (só as necessárias ao próprio trabalho), nem no café (como um lanchinho enquanto trabalho), nem em navegações na Internet ou coisas do género. E irrita-me quem o faz, honestamente.

Enquanto estive em estágio, num outro local, era o descalabro total. Algumas pessoas «subornavam» outras para lhes picarem o cartão de ponto e só chegavam quase ao meio dia. Tiveram inclusive de retirar as cadeiras do bar e substituir por mesas altas, para os funcionários não abusarem com o tempo enquanto bebiam café. Sinceramente, aquilo enervava-me. E garanto que tinham salários bem maiores que a média nacional.

É isto que defendo: um horário que nos permita ter tempo para a vida familiar e, em troca, teremos de ser realmente produtivos no local de trabalho. Acho que dessa forma, como já foi provado noutros países, poderíamos melhorar substancialmente a nossa situação.

Foto: Jes

19 comentários:

  1. Assim seria muito bom :)

    Olha eu fico aqui 8 horas, nesta altura do campeonato, muitas delas sem nada por fazer (eu já limpo isto e tudo)e se pudesse sair mais cedo (uma vez que não tenho que fazer) faria o meu trabalho na mesma, o que nem é da minha responsabilidade e certamente corria tudo melhor! Mas eu não mando!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Agora soma todas essas horas ao longo da tua vida... A vida é preciosa e cada minutinho deve ser bem aproveitado (dentro e fora do trabalho).

      Bjs

      Eliminar
  2. Falas bem! Mas tb é pq tens a possibilidade de escolher esse horário! Qdo trabalhas numa empresa em que te é imposto um horário, nada a fazer! E o pior é qdo queres sair à tua hora de saída e não consegues, não te deixam, pedem-te algo na hora de saires ou... fica mal saires a horas!!!Infelizmente é esta a realidade...

    Beijinhos

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. De início não tinha essa possibilidade, parecia-me impossível, caia mal sair a horas... mas fui negociando. A pessoa que esteve antes de mim, nunca negociou. Desistiu, por excesso de stress. Até hoje, sou a pessoa que está lá há mais anos. Mas é óbvio que é necessário PROVAR que assim o trabalho rende mais.

      Há casos em que as pessoas não têm coragem para negociar, e outros há em que os patrões não aceitam qualquer sugestão, mesmo que isso implique mais prosperidade para a sua empresa. Mas eu gosto de perceber quais as práticas mundiais que contribuem mais para a felicidade das pessoas e que, em simultâneo, beneficiam mais as empresas.

      Se a filosofia nórdica estiver errada, então pergunto-me, como é possível serem países economicamente mais desenvolvidos que o nosso. Há vários factores em jogo, para além do horário de trabalho: há a honestidade, a ética, a eficiência, o tempo de férias, os vencimentos… Esta é só uma variável da equação. Contudo, em suma cabe à empresa se quer um empregado descontente ou um empregado mais produtivo e feliz. Para nosso azar, nem todas as empresas têm essa visão. Mas acho que é francamente um erro.

      Onde trabalho acabámos por optar por turnos fixos (as pessoas andavam sempre cansadas com os turnos rotativos). Há quem entre às 7h e saia às 15h. Mas também há quem prefira entrar às 16h e sair às 00h00, ou porque gostam de dormir até mais tarde ou para aproveitar bem o dia, etc. Quem entra de novo tem um horário pior, mas quando há vagas tem sempre opção para mudar para um que mais lhe agrade.

      Nem tudo é perfeito, mas aos poucos estamos a tentar melhorar. Creio que tem de ser uma dádiva de parte a parte. Assim as coisas funcionam melhor.

      Quem sabe um dia esta mentalidade se começa a espalhar. Por agora estamos só a abrir caminho.

      Eliminar
  3. Acho que todos os trabalhos deviam ser assim. Creio que haveria mais rendimento e as pessoas seriam mais felizes!

    ResponderEliminar
  4. Não podia concordar mais! Quando estive na Alemanha, num instituto de investigação, eu e uma rapariga argentina eramos as últimas a sair - e saíamos por volta das 5! Os alemães chegam cedo (o meu orientador já lá estava às 7 da manha), saem cedo, almoçam em meia hora e o resto do tempo não falam, não convivem, não vão ao café, os telefones não tocam e as pessoas trabalham mesmo. Adorei este modelo do norte da europa e é assim que tento trabalhar cá. Entro às 9, saio às 5 ou 5h30 no máximo, almoço em meia hora (às vezes menos) e concentro-me mesmo no que estou a fazer. Odeio interrupções e muitas vezes sinto-me tentada a não atender o telefone... Infelizmente, a maior parte das pessoas trabalham assim como descreves... se fossemos contar o tempo de trabalho útil dessas pessoas, acho que em média não deve passar das 3 horas...

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. O meu marido também viveu na Alemanha e, através dele fiquei a conhecer um modo de vida que nem imaginava. Os alemães até nem são dos mais felizes, mas são muito eficientes em termos de trabalho. Gosto mesmo da forma como trabalham. Se bem que também gosto de construir amizades no trabalho (sendo que estas não interferem com o mesmo).

      E sim, acho que se espremermos bem o trabalho útil de certas pessoas, não deve render muito mais do que isso.

      Eliminar
  5. Concordo plenamente!! Devemos nos sentir satisfeitos com o nosso trabalho, e quando a carga horária é exigente demais, não conseguimos ser felizes, nem produtivos. Produção não tem nada a ver com tempo. Tem a ver com bem estar.

    Beijos!!♥

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Acho que tem a ver com bem-estar e com uma gestão eficaz do tempo (nunca com excesso de tempo).

      Eliminar
  6. "É isto que defendo: um horário que nos permita ter tempo para a vida familiar e, em troca, teremos de ser realmente produtivos no local de trabalho."

    Assino por baixo... quem tem filhos e casa pra cuidar que o diga.

    Bjinhos
    Marlene

    ResponderEliminar
  7. É ótimo quando se pode fazer isso, o meu horário é estipulado pela escola e não posso mesmo alterar nada! Mas estás a pensar corretamente! Bjs

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Quem sabe um dia as coisas não melhoram?
      Beijinho

      Eliminar
  8. Mafalda, excelente...Ando a tentar lutar comigo própria para sair a horas...mas há hábitos que custam a morrer... E depois também tenho a sensação que não fui produtiva porque perdi tempo na conversa com este ou aquele (conversas sempre iniciados pelos outros que não consigo fugir). Mas ando a tentar evitar esses comportamentos ao máximo. Mas a minha empresa, optou por implementar um communicater em todos os computadores. Então para falarmos com alguém basta enviar uma mensagem tipo msg. Escusado será dizer que sou muitas vezes interrompida por brincadeira. Mas vou conseguir....Excelente post como sempre.

    ResponderEliminar
  9. Parece-me optimo o que fizes-te, também gostava, mas acho que no meu caso não funciona. Dependo do trabalho de outras pessoas para continuar o meu. E o meu namorado por exemplo não lhe vale de nada chega cedo, porque há dias em que o trabalho dele é preciso ser visionado pelo cliente e esse só aparece a partir das 19 ou 20horas.
    Mais uma vez seria necessário educar as pessoas a controlarem os seus horários.
    Beijinhos

    ResponderEliminar
  10. Realmente é verdade que se nos aplicarmos e fizermos o tempo render, tudo corre melhor.
    Admiro o facto de se levantar tão cedo, uma preguiçosa como eu, não conseguia. Ou talvez sim, mas no início ia doer tantoooo.

    ResponderEliminar
  11. Mafalda, achei este post muito interessante.
    Por acaso até tenho um horário que considero previligiado - Entro às 9h, tenho uma hora para almoço e saio as 17h (trabalho numa IPSS). Às 18h habitualmente estou em casa (por opção utilizo os transportes públicos). É um horário que para mim serve perfeitamente, dado que ainda não tenho filhos.
    Quando comecei a trabalhar, por entusiasmo, lealdade à instituição onde trabalho e também por necessidade (por vezes tinha que conciliar os meus horários com os utentes e acaba por estender o horário) trabalhava cerca de 9h30m (em média) por dia. Ao fim de algum tempo - uns dois, três anos - o desgaste físico e emocional era bastante grande e vários factores levaram a que começasse a questionar as minhas próprias práticas. O cansaço acumulado não me permitia ser tão produtiva. Optei por me reorganizar e comecei a sair a horas, quase todos os dias.
    Considero que se efectivamente estivemos a trabalhar durante o nosso horário, sair a horas é um direito - assim como cumpri o meu dever para com a entidade patronal de lhes dar um dia de trabalho em troca de um dia de salário.
    Contudo, sou suficientemente flexível para estender o horário se necessário. Tudo se resolve com bom senso e alguma moderação.
    Gostaria muito de ter oportunidade de no meu trabalho poder fazer esse tipo de opção. Mas penso que a nível organizacional, o clima ainda não é propício a isso, dado que nem todos os serviços permitem essa flexibilidade horária.

    ResponderEliminar
  12. Excelente post! Se eu tivesse uma jornada de trabalho menor, provavelmente renderia bem mais.

    ResponderEliminar
  13. Concordo plenamente com o post. Também admiro os hábitos dos povos nórdicos e lamento que cá não se tente imitá-los. Onde trabalho não posso escolher horário e, o que me irrita,sempre que se marcam reuniões, muitos membros chegam atrasados e não cumprem a ordem de trabalhos, de forma que frequentemente as reuniões se prolongam desnecessariamente. Mais, mts colegas parecem achar que quanto mais tempo se está na reunião, melhor. O que mts vezes é apenas desperdicio de tempo. Tb penso que o tempo é demasiado precioso p se desperdiçar

    ResponderEliminar

Related Posts with Thumbnails